Sobrevivi!!! A cirurgia foi na sexta-feira, por volta das 7 da manhã e eu voltei para o quarto aproximadamente às 16 horas.
Não vi nada, pois colocaram algo no soro para eu dormir, antes mesmo da anestesia geral. Infelizmente, na cirurgia, minha trompa esquerda foi retirada, pois estava com muita aderência... segundo o médico, não havia como recuperá-la, ela não teria mais serventia, e ainda poderia me predispor a ter uma gravidez tubária futuramente. Graças a Deus, a outra trompa está perfeita, e os ovários foram preservados. Foram 5 incisões na barriga.
O Dr Ricardo ainda acredita em grande possibilidade de uma gestação espontânea.
Fora esta triste notícia da perda da trompa, o pós-operatório foi bastante desconfortável. Fiquei sem comer da tarde de quinta (véspera da cirurgia) até a manhã de domingo. E, apesar de estar recebendo soro, nunca senti tanta fraquesa e fome. Além disso, por conta do jejum e da quantidade de remédios, vomitei por váaarias vezes.
Mas as melhoras foram acontecendo aos poucos. Sábado à noite tiraram minha sonda e pude levantar e tomar um banho rápido.
Na manhã de domingo, quando (finalmente) comecei a comer coisas leves e diminuiram meus medicamentos, passei a me sentir melhor. Pude tomar um banho mais demorado e lavar os cabelos, e fiz pequenas caminhadas pelo quarto e pelo corredor. Só restava o incômodo e a dor quase que insuportável nas costas, por passar grande parte do dia na cama... e sem opção de posição durante a noite.
Tive alta na manhã de segunda-feira.
Tenho que abrir um espaço aqui para registrar que o Fabio foi o maior marido-amigo-acompanhante-médico-enfermeiro que eu poderia ter. Simplesmente perfeito. Até as enfermeiras comentavam.Não arredou pé do meu lado durante todo o tempo. Penteou meu cabelo, limpou vômito, cocô (sim, eu fiz na roupa por conta dos laxantes), passou lencinho umidecido no meu pescoço e axilas quando eu não podia levantar para tomar banho. Passou desodorante, fez massagens nos pés, cantou, dançou, deu beijihos, tirou foto, e a maior força que eu poderia receber naquele momento.
Meu quarto ficava ao lado da ala da maternidade, e durante à noite, vez ou outra, cheguei a ouvir choros dos bebês recém-nascidos que vinham do outro lado do corredor. Quando eu finalmente pude "caminhar"... passei pelo meu "corredor da internação" e cheguei no corredor da maternidade: uma ala de portas enfeitadas com aqueles enfeites de nascimento, e flores nas portas. Não aguentei e chorei naquela hora. E recebi o melhor abraço que poderia receber... o Fa dizendo: "mor agora já passou... a cirurgia já foi, não há mais endometriose... eu tenho certeza que daqui a pouco seremos nós que estaremos hospedados naquele corredor! Eu tenho certeza porque eu sinto que irá acontecer!"
Fora isso, a equipe médica foi ótima, as fisioterapeutas e a enfermagem perfeita. Todos me deram o maior apoio, força. Num momento que eu estava chorando, uma das enfermeiras me disse: Olha, fique tranquila que vc vai ter o seu bebê logo. Esse seu Dr é ótimo e vem gente até dos Estados Unidos operar com ele aqui. Sempre tem resultados. Depois elas voltam com um barrigão!" E essa enfermeira que falou isso não foi a única. Todas diziam que iria valer a pena!
Bem, voltando para casa, meus pais vieram do interior para ficar aqui comigo, pois o Fabio voltou a trabalhar ontem. Estou ainda muito inchada... principalmente na cintura e quadril. Só me servem os shorts dos pijamas! Mas a cada dia tenho uma melhora bastante significativa. Já tomo banho sozinha, deito e levanto. Também não sinto dores (aliás, dor nos cortes eu não senti em nenhum momento). Ainda assim, tem minha mãe, que está aqui... arruma a casa para mim, faz almoço, bolo, torta e lanchinhos. Lava a roupa. Hoje até fez minhas unhas dos pés!!! E esta noite, pela primeira vez, tive uma boa noite de sono.
É isso... Na sexta tiro uma parte dos pontos (na verdade, um botão que está "suspendendo" meu útero) e na próxima semana, os outros.

