Acaso? Destino? Ou simplesmente matemática, um exemplo vivo de teoria da probabilidade? Não importa o nome que se dê a esses eventos. A vida é cheia deles.

(Paul Auster)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Trompa pra que te quero



Como falei no post anterior, continuei tendo uma febrezinha e dores na bexiga para fazer xixi. Os exames de sangue que fiz indicaram infecção, embora o de uriana tenha dado negativo. Mesmo assim, o médico me indicou um antibiótico para infecção urinária que comecei a tomar na sexta e, a partir de segunda, não tive mais febre.
Na quarta voltei a trabalhar... e estou cada vez melhor.
Ontem fui ao retorno com o Dr Ricardo. Ele é uma graça, super simpático, e conversou bastante comigo e com o Fábio. Explicou como foi a cirurgia, mostrou as fotos e tudo mais.
Fiquei um pouquinho triste quando ele disse que o valor de 1,3 do meu anti-mulleriano é um pouco baixo para minha idade, pois para 31 esperava-se algo em torno de 2,0... :( Mas que não era para eu me assustar.
Disse também que já estou liberada para os treinos! Perguntei quanto tempo deveria esperar por uma gravidez espontânea, antes de partir para a FIV, e ele pediu para aguardarmos 6 meses. Que tenho chances de engravidar neste período, e que eu não preciso me desesperar e sair correndo para a FIV
Como perdi minha trompa esquerda, imaginava que, a partir de agora, nos meses em que ovular deste lado o ciclo estaria perdido, mas aí vem a melhor notícia. O Dr Ricardo contou que, mesmo nos meses que ovular do lado esquerdo, minha trompa direita se moverá para pegar o óvulo do lado que não tem trompa!!! Achei isto incrível!!! Fiquei tão feliz!!! Pensava que teria os ciclos perdidos...
Mas uma vez afirmou que, de um modo ou de outro, EU VOU ENGRAVIDAR!
Bem, fora isso, me pediu para repetir os exames de sangue, para confirmar que não estou mais com nenhuma infecção. Já fiz hoje, e os resultados serão liberados daqui a pouco.
Também me deixou com pedidos de exame para fazer na 1a e 2a menstruação pós-cirurgia. Sinto que estou para menstruar nos próximos dias.
No final de abril farei novamente a ultrassonografia com a Dra Luciana Chamié. Se Deus quiser, desta vez ela não encontrará nenhuma sombra de endometriose!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Recuperação

Graças a Deus estou me recuberando bem e rápido. Esta semana já estou ficando sozinha em casa (mamãezita já deixou almoço pronto e congelado para a semana inteira ;P).
Na última sexta, retirei o botão que sustentava o útero e quase todos os pontos. Ficou só os do umbigo, que retirei ontem. O Dr Alessandro (médico auxiliar, que participou da cirurgia e retirou os pontos) me liberou para voltar a trabalhar depois do carnaval. Também me autorizou a viajar para o interior neste final de semana.
O Fabio não vê a hora... coitado. Anda sobrando tudo para ele. Como aqui em São Paulo não temos ninguém com quem contar, ele acaba sendo muito exigido numa situação como esta. Além do trabalho, cada ida ao consultório ele precisa sair do serviço, vir até em casa, me pegar, levar, trazer, e voltar a trabalhar. Sem contar que qualquer coisa que precise ser feita na rua (farmácia, mercado) ficou para ele. Dá para ver que ele tá que não tá mais aguentando. Pudera!
Ontem precisei passar no laboratório e fazer alguns exames de sangue e urina. É que desde sexta, quando retirei a maior parte dos pontos, venho tendo uma febrezinha à tarde (não alta), e uma dor na bexiga, toda vez que faço xixi. O médico suspeita de infecção urinária. Estou só esperando sair o resultado dos exames para mandar para o e-mail dele.
Mas de resto, está tudo super bem. Já desinchei, e estou me virando bem sozinha.
No dia 24/02 farei o retorno com Dr Ricardo, no Hospital Albert Einstein.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Videolaparoscopia

Sobrevivi!!! A cirurgia foi na sexta-feira, por volta das 7 da manhã e eu voltei para o quarto aproximadamente às 16 horas.
Não vi nada, pois colocaram algo no soro para eu dormir, antes mesmo da anestesia geral. Infelizmente, na cirurgia, minha trompa esquerda foi retirada, pois estava com muita aderência... segundo o médico, não havia como recuperá-la, ela não teria mais serventia, e ainda poderia me predispor a ter uma gravidez tubária futuramente. Graças a Deus, a outra trompa está perfeita, e os ovários foram preservados. Foram 5 incisões na barriga.
O Dr Ricardo ainda acredita em grande possibilidade de uma gestação espontânea.
Fora esta triste notícia da perda da trompa, o pós-operatório foi bastante desconfortável. Fiquei sem comer da tarde de quinta (véspera da cirurgia) até a manhã de domingo. E, apesar de estar recebendo soro, nunca senti tanta fraquesa e fome. Além disso, por conta do jejum e da quantidade de remédios, vomitei por váaarias vezes.
Mas as melhoras foram acontecendo aos poucos. Sábado à noite tiraram minha sonda e pude levantar e tomar um banho rápido.
Na manhã de domingo, quando (finalmente) comecei a comer coisas leves e diminuiram meus medicamentos, passei a me sentir melhor. Pude tomar um banho mais demorado e lavar os cabelos, e fiz pequenas caminhadas pelo quarto e pelo corredor. Só restava o incômodo e a dor quase que insuportável nas costas, por passar grande parte do dia na cama... e sem opção de posição durante a noite.
Tive alta na manhã de segunda-feira.
Tenho que abrir um espaço aqui para registrar que o Fabio foi o maior marido-amigo-acompanhante-médico-enfermeiro que eu poderia ter. Simplesmente perfeito. Até as enfermeiras comentavam.Não arredou pé do meu lado durante todo o tempo. Penteou meu cabelo, limpou vômito, cocô (sim, eu fiz na roupa por conta dos laxantes), passou lencinho umidecido no meu pescoço e axilas quando eu não podia levantar para tomar banho. Passou desodorante, fez massagens nos pés, cantou, dançou, deu beijihos, tirou foto, e a maior força que eu poderia receber naquele momento.
Meu quarto ficava ao lado da ala da maternidade, e durante à noite, vez ou outra, cheguei a ouvir choros dos bebês recém-nascidos que vinham do outro lado do corredor. Quando eu finalmente pude "caminhar"... passei pelo meu "corredor da internação" e cheguei no corredor da maternidade: uma ala de portas enfeitadas com aqueles enfeites de nascimento, e flores nas portas. Não aguentei e chorei naquela hora. E recebi o melhor abraço que poderia receber... o Fa dizendo: "mor agora já passou... a cirurgia já foi, não há mais endometriose... eu tenho certeza que daqui a pouco seremos nós que estaremos hospedados naquele corredor! Eu tenho certeza porque eu sinto que irá acontecer!"
Fora isso, a equipe médica foi ótima, as fisioterapeutas e a enfermagem perfeita. Todos me deram o maior apoio, força. Num momento que eu estava chorando, uma das enfermeiras me disse: Olha, fique tranquila que vc vai ter o seu bebê logo. Esse seu Dr é ótimo e vem gente até dos Estados Unidos operar com ele aqui. Sempre tem resultados. Depois elas voltam com um barrigão!" E essa enfermeira que falou isso não foi a única. Todas diziam que iria valer a pena!
Bem, voltando para casa, meus pais vieram do interior para ficar aqui comigo, pois o Fabio voltou a trabalhar ontem. Estou ainda muito inchada... principalmente na cintura e quadril. Só me servem os shorts dos pijamas! Mas a cada dia tenho uma melhora bastante significativa. Já tomo banho sozinha, deito e levanto. Também não sinto dores (aliás, dor nos cortes eu não senti em nenhum momento). Ainda assim, tem minha mãe, que está aqui... arruma a casa para mim, faz almoço, bolo, torta e lanchinhos. Lava a roupa. Hoje até fez minhas unhas dos pés!!! E esta noite, pela primeira vez, tive uma boa noite de sono.
É isso... Na sexta tiro uma parte dos pontos (na verdade, um botão que está "suspendendo" meu útero) e na próxima semana, os outros.