Acaso? Destino? Ou simplesmente matemática, um exemplo vivo de teoria da probabilidade? Não importa o nome que se dê a esses eventos. A vida é cheia deles.

(Paul Auster)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Banco de Embriões

Ando numa fase de desânimo total com este blog... tanta demora para postar a "grande notícia" que espero ao longo destes quase 3 anos. Tem horas que cansa!!!
Mas estou devendo uma atualização. Bem, depois deste último negativo, retornamos à clínica para conversar com o Dr. Ele repassou todo o tratamento, a evolução dos folículos, a análise do sêmen, o desenvolvimento dos embriões. Comparamos com o tratamento anterior e vimos que a resposta ovariana não mudou muito, apesar da mudança na dosagem dos medicamentos. Entretanto, desta vez conseguimos 2 embriões.
Eu questionei se meu negativo foi apenas um caso de "estatística". Ele acredita que não seja apenas isso... uma vez que já foram 2 tratamentos; que meus embriões são aparentemente bons (em número de células e sem fragmentação); que o endométrio é ótimo.
Pelo que entendi, o ideal é quando há vários embriões, e que estes se desenvolvam no laboratório até o 5º dia (estágio de blastocisto). Ao tentar atingir este estágio, boa parte dos embriões não resistem, fazendo com que os que "sobrevivam" sejam os melhores (uma espécie de seleção natural). Como eu só consegui 1 ou 2 embriões, não se aguardou todo este tempo, e eles foram transferidos no 3º dia.
Segundo o Dr, uma das hipóteses da não implantação dos embriões, é que eles tenham algum tipo de alteração (por exemplo, cromossômica). Embora sejam perfeitos fisicamente, não dá para garantir que sejam saudáveis. E como são poucos, também não dá para fazer esta "seleção natural" dos 5 dias.
Então ele nos aconselhou que, no próximo tratamento, façamos um "banco de embriões". Serão cerca de 3 induções, e a cada coleta, fertilizaremos e congelaremos os embriões. Após isso, todos serão descongelados, e os melhores serão enviados para biópsia de análise cromossômica (tentarei tratar disso num outro post).
A medicação será bem menor, visto que eu não respondo com muita medicação mesmo... Talvez 1 ampola de menopur e uns comprimidos orais.
Saímos do consultório ainda digerindo tudo isso... Teremos que ter paciência, pois, montar esse "banco" requer bem mais tempo, e bem mais grana (induções, congelamentos e biópsia)!
Após digerida esta notícia, e aceita a ideia, decidimos que faremos a 1ª indução em novembro deste ano; a 2ª em janeiro; e a 3ª em março (juntamente com a biópisa e a tranferência). 
É claro que, por enquanto, tudo é apenas uma previsão... até porque dependo de muitos outros fatores... como menstruar, ter folículos e embriões. Mas por enquanto é o que temos: uma previsão! E com ela, a esperança de que desta vez o final seja diferente.

sábado, 1 de setembro de 2012

2ª tentativa = 2º negativo

Durante este segundo tratamento, cheguei a ter acesso à minha ficha do laboratório para o qual eles mandam nossos exames. Então, de posse da identificação e senha, agora acesso os resultados pela internet, e fico sabendo do laudo antes de me ligarem (e acho que eles não sabem que eu sei).
E o tão esperado resultado saiu ontem. Passei na Clínica pela manhã para colher o sangue e segui para o trabalho. Eu estava especialmente confiante nestes últimos dias... apesar do medo, tinha quaaase certeza que havia dado certo.
Bem, depois do almoço comecei a verificar a disponibilidade do resultado a cada meia hora. Quando foi por volta das 15:30h, saiu o resultado da progesterona: 14,90 ng/ml. Achei super baixo, mas mantive a esperança.
Com este primeiro resultado, passei a consultar o site a cada 10 minutos, depois a cada 5, e logo eu só ficava só no F5 (cadê que eu conseguia trabalhar?!). 
Já eram 17 horas e nada de resultado. Estava na hora de ir embora... eu queria saber antes de me ligarem. Já tinha até "ensaiado" como contar a grande notícia para o Fabio. Mas as 17:30h, resolvi ir embora.
No caminho de casa passei no mercado e quando estava na fila do caixa, meu celular toca. Era da Clínica. A voz fúnebre da enfermeira entregou: infelizmente, negativo de novo! Que dor... que dor meu Deus.
Sai do mercado com as lágrimas escorrendo, e aquele nó gigante entalado na garganta... segurando para não ter uma crise do choro no meio da rua. Entrei no prédio fingindo para o porteiro que estava resfriada. E quando fechei a porta de casa desabei.
Não tenho dúvidas que desta vez o negativo doeu mais, muito mais. Eu chorei tanto, mas tanto, que parecia que alguém havia morrido. Talvez tenha sido pela morte de um sonho. Depois vem a raiva, a revolta. E a tristeza de novo.
E também vem a dúvida... cadê meus embriôes? Em que momento eles se perderam? Será que um dia nós vamos conseguir? 
O Fabio chegou uns 40 minutos depois. Tadinho... tirando ainda uma animação não sei de onde para falar "só" não foi desta vez. Que tem certeza que ainda iremos conseguir. E eu sinto tanto por não ter conseguido dar este filho para ele. Às vezes me sinto tão culpada por isso (mesmo consciente que não tenho esse domínio sobre meu corpo).
Chorei, chorei, chorei até dormir no sofá. Depois acordei e conversamos bastante sobre isso. Lágrimas ainda rolaram soltas enquanto ficamos por um bom tempo abraçados.
Hoje estamos melhores. Saímos, almoçamos fora, tomamos um choppinho, compramos umas coisinhas para a casa, um livro para mim. A vida segue, sempre.
O retorno com o Dr Fernando será na quinta-feira. Por enquanto, decidimos que uma nova tentativa ficará só para o próximo ano. Além de todo desgaste psicológico, do abalo emocional, acho que este ano já fizemos o que deu para ser feito. Uma cirurgia e 2 fertilizações... e tudo isso em menos de 6 meses. Fora todo o gasto... ainda não terminamos de pagar nem 1a tentativa. Até novembro, a despesa será brava!
É isso!
Pelo visto, além da vontade de Deus, ainda preciremos muito da ciência. E da paciência.